Passado sem saudade é brincadeira de criança, aquela em que se esconde. Saudade sem presença, é historia de faz de conta. Os livros sempre lidos pela metade, as gavetas bagunçadas com as meias jogadas no chão, a pasta de dente aberta, o violão que não tem mais som. Isso é memória que deveria ser esquecida. Estar, enfim, aos poucos é abreviação de pessoas. Remendos mal feitos naquilo que se foi dito, e no que não foi.
O começo sempre demora o que compensa o fim. Apressado, dissimulado, nunca olha para trás. Traz com toda sua ligeira aparição, dores que ficam algum tempo, um bom tempo. Longo tempo.
Já a saudade antecipada é inimiga do futuro. Fala-se demais, age-se demais. Faz-se besteira. Sentir falta de alguém é sempre dor, vontade de correr, chutar as flores no jardim e replanta-las depois para se ter um buquê. Não ter as mãos amigas, o abraço familiar, o calor do beijo da amada. Ficar longe é sentir-se sozinho. É permanecer sem se anunciar.
A saudade em seu tempo é saudável. Sentimento gostoso, de quem se lembra dos recentes passos dados, dos mais novos pedidos, do gosto ainda de carinho. Morrer de saudade é a mistura de todas as possibilidades juntas. É sentir ciúmes, raiva, ódio, sentir necessidade, é deixar sair, ir embora, distante, ficar feliz, contente, acreditar em si. Em mim.
Minha saudade é amor. Porque te amo tanto, ainda, muito. Se ontem eu tinha saudade, hoje morro de amores. “Diga-me que chegaras as seis, e desde as três, passarei a ser feliz”.
Não, obrigado.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
sábado, 26 de dezembro de 2009
Bem como éramos.
Tropeçava em remendo deformado, meio gasto. Minha sapatilha permanecia rasgada, usava calça desbotada, blusa entreaberta. Continuava descabelada, desajeitada, torta, sem jeito. Tinha pesadelos, lembrança de situações imaginaria. Circunstancias, circuladas, circundadas e inventadas. Estava acordada pelas metades. Respirava pouco ar, bebia pouca água. Vivia pouco. Presa dentro de mim. Presa em ti. Presa àquelas circunstancias. Fui ridícula, tola, imbecil, eu sei. Foi rude, grosso, egoísta, tu sabes. Hoje sou atriz, cantora, dançarina, tu é bêbado em porta de bordel. Copia barata de sarjeta. Enquanto eu, já sou jardim.
Prendi-me demais, quis ter-te quando não estava, quis-te longe quando mais te amava. Amor platônico, amor desestimulado, amor dissimulado. Repito frases para ti, do inicio ao fim. No mais, tu eras meu cigarro. Viciava-me.
Meu vicio secou, teu liquido escorreu por mim, por fora. Não senti. Não te sinto. Não quero.
Bem quanto pelas esquinas escuras, tu já fora lamparina. Bem como tons de cinza, sou mais o por do sol. Bem sendo amor, somos passado sem saudade. Sentimento desenhando em forma de gaveta de meias.
Não sinto mais amor por ti.
Bem como ferida, que acaba de cicatrizar...
Prendi-me demais, quis ter-te quando não estava, quis-te longe quando mais te amava. Amor platônico, amor desestimulado, amor dissimulado. Repito frases para ti, do inicio ao fim. No mais, tu eras meu cigarro. Viciava-me.
Meu vicio secou, teu liquido escorreu por mim, por fora. Não senti. Não te sinto. Não quero.
Bem quanto pelas esquinas escuras, tu já fora lamparina. Bem como tons de cinza, sou mais o por do sol. Bem sendo amor, somos passado sem saudade. Sentimento desenhando em forma de gaveta de meias.
Não sinto mais amor por ti.
Bem como ferida, que acaba de cicatrizar...
sábado, 19 de dezembro de 2009
Fim de festa.

Sentar-se a mesa, rebuscada de palavras que foram ditas mais cedo na frente do espelho. A boca sempre suja de batom, a alma continua suja dele. O gosto amargo, agora azeda por entre os lábios, o cigarro derreteu por entre os dentes, o álcool poluiu a limpeza de um corpo inocente. Olhos compridos, inchados, dilatados, fitam bitucas. Fitam o sexo selvagem, o sexo oposto, o sexo sobreposto. Sexo em conjunto. É sexta-feira.
O banheiro fede a vomito, as mãos fedem, a roupa fede, o sorriso fede. A vomito. Dirigir-se a grupos estereotipados. Bicho gente, seres humanos. Que pulam de calçada em calçada, cheiram traseiros alheios, lambem feridas expostas. É sábado.
Cai-se sobre a mesa. Ficam sem pronuncias. Sobre reações em subconjunto. Relações...fudidas. Dor no estomago, na cabeça. Esquecimento, desfalecimento, esgotamento. Podridão em cima de si. Vírgulas que esquecem de julgar, pontos finais que não se pronunciam. Corpo ferido, deteriorando, pronto para o abate. Recomeço. É domingo.
Sem falas, sem malas, sem mais. Fica tudo bem depois das três. Tudo continua se concertando na segunda feira, sempre blues.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Pão adormecido.
A fraqueza tem me valido para alguma coisa, finjo que as lagrimas são gotas de cansaço. A franqueza tem me derrubado, digo verdades que machucam, machucam-me, machucam-te. Sei que não sou amada, não sou amável. Os dias tem sido grandes revoltas de sentimentos que nunca tive em si. Aludo demais, falo demais. Amores, promiscuidades, vaidades, luxurias. Os perfis se encontram, mas não se encaixam. Fardados de dores acumuladas, passado que vira futuro, presente que não existe, sem laços, sem traços, sem vestígios, sem finais felizes.
O sorriso é falso. A embriagues era motivação. Escrevo porque não dói. As coisas que acontecem deveriam exalar motivos para ódio, perder a fé. No entanto, nunca desconfiei de Deus, desconfiei de mim.
Não aprendi a hora de ser covarde, não sei a hora de ser fraca. Provo minhas qualidades como obrigação, dever que esqueci de pronunciar. Esqueço de sentir-me de verdade. Nunca está bom o bastante, nunca sou boa o bastante. Paixões são ridiculamente desnecessárias, não vejo motivos para sentir mais uma dor. Comodismos a parte, prefiro ficar com a companhia da televisão.
Meu copo ultimamente permanece vazio, tanto é a falta de animo. Abstinência de mim. Vulgarizo qualquer tipo de sentimento, papeis invertidos com dores de começo interminável. Palavras que jogam em meu rosto, jorram dos meus olhos. Jatos de palavras sujas, de vírgulas intrépidas, de frases que sei de cor. Sinto coisas que sei que não existem, mas talvez a falta de compreensão me faça acreditar que seja melhor acorda-las, sem abdicar o fato de mentir. Talvez seja medo. Errar, perdoar, enganar, perdoar, perdoar, perdoar. Quais os motivos que levam a loucura? Quais as sensações que sentem alguém louco de verdade? Abstinência de ti.
Chuto palavras no papel sem que façam qualquer sentido, são dores fortes, uma ânsia interminável de falar. O sorriso exala odores fortes, de quem perdeu a vontade de amar. Talvez seja cedo, talvez já esteja tarde. Perdi a noção do tempo, da hora, do dia, de mim, de ti, de nós, nunca fomos nós, nunca existiu nós, nunca existirá. Só tenho nós na garganta, no pulso que ferve, no grito que pede, no choro que implora, no riso que some. Sumiu.
Mendigo frases novas, rostos inventados. Fotos, livros, objetos impessoais, dadas sem pedir. Não queime minhas cartas, não rasgue o meu amor. Não me devolva nada, não sou mais metades, quanto menos beiradas. Fiquei longe, longe demais, perdi os meus poucos pedaços. Virei migalhas.
O sorriso é falso. A embriagues era motivação. Escrevo porque não dói. As coisas que acontecem deveriam exalar motivos para ódio, perder a fé. No entanto, nunca desconfiei de Deus, desconfiei de mim.
Não aprendi a hora de ser covarde, não sei a hora de ser fraca. Provo minhas qualidades como obrigação, dever que esqueci de pronunciar. Esqueço de sentir-me de verdade. Nunca está bom o bastante, nunca sou boa o bastante. Paixões são ridiculamente desnecessárias, não vejo motivos para sentir mais uma dor. Comodismos a parte, prefiro ficar com a companhia da televisão.
Meu copo ultimamente permanece vazio, tanto é a falta de animo. Abstinência de mim. Vulgarizo qualquer tipo de sentimento, papeis invertidos com dores de começo interminável. Palavras que jogam em meu rosto, jorram dos meus olhos. Jatos de palavras sujas, de vírgulas intrépidas, de frases que sei de cor. Sinto coisas que sei que não existem, mas talvez a falta de compreensão me faça acreditar que seja melhor acorda-las, sem abdicar o fato de mentir. Talvez seja medo. Errar, perdoar, enganar, perdoar, perdoar, perdoar. Quais os motivos que levam a loucura? Quais as sensações que sentem alguém louco de verdade? Abstinência de ti.
Chuto palavras no papel sem que façam qualquer sentido, são dores fortes, uma ânsia interminável de falar. O sorriso exala odores fortes, de quem perdeu a vontade de amar. Talvez seja cedo, talvez já esteja tarde. Perdi a noção do tempo, da hora, do dia, de mim, de ti, de nós, nunca fomos nós, nunca existiu nós, nunca existirá. Só tenho nós na garganta, no pulso que ferve, no grito que pede, no choro que implora, no riso que some. Sumiu.
Mendigo frases novas, rostos inventados. Fotos, livros, objetos impessoais, dadas sem pedir. Não queime minhas cartas, não rasgue o meu amor. Não me devolva nada, não sou mais metades, quanto menos beiradas. Fiquei longe, longe demais, perdi os meus poucos pedaços. Virei migalhas.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Amor em forma de farpas.
Ela tem olhos que não vêem, observam. Seus ouvidos fazem sons, captam verdades, decifram sinais. Tudo nela tem um pouco de alguém, tem um pouco de algo. Tem luz do sol. Tem som da chuva. Tem vida e final. Já é completa sozinha. Beira degraus e escadas inteiras. É singular, é gigantesca.
Os dentes são serrados na boca, os lábios desenham o sorriso. O desejo do homem. O pecado em ser somente si. Ela é doce, suave, encantadoramente assustadora. É metade bruxa, metade fada. Sua fala é calma, seus gestos são calmos. Sua beleza é indecifrável. Às vezes parece monstro, outras, princesa. Jamais seria indefesa.
Suas pequenas mãos feriariam até mesmo leões. Levantam qualquer um do chão. Esmagam qualquer um sem pena, sem perceber.
É paradoxo. É criança. É mulher. É cruel. Sua presença machuca, suas falas ferem. Tudo nela me incomoda. Tudo me maltrata pouco a pouco. É doença. É minha cura.
Seu corpo fantasia-se em minha cabeça. Vejo pernas, vejo barriga, vejo braços, imagino abraços.
Não sei pensar se não for ela, não sei falar sem tocar teu nome, sem senti-lo em meus lábios, sem sinta-la. Tudo arde em volta do crepúsculo que criei em mim. Nada fica envolto as palavras que joguei no vento para ir de encontro a ela. Meu sorriso se calou, meus olhos se calaram. Não tem graça se não forem vistos pela verdadeira face. Não tem graça se não forem para ela. É ridícula, grossa, insuportavelmente linda. Odiar-te é parte da dor salgada e fria. É parte do que eu sou por ti. Ódio e amor. Ao contrario de odiar ama-la, amo odiar-te. Sou o contrario do resto da humanidade que se apaixona pela figura dessa semi-qualquer-coisa-que-seja. Não sou parte de você. Não quero parte alguma de você. Quero que fique longe, ficarei longe. Longe de mim. Longe dessa bobagem. Longe de lábios falsos. De abraços fracos. De presença inventada. Tu não tens complemento. Não tens metades. Tu gostas de ser sozinha. É viúva-negra. Matou-me, sem nem ao menos ter me amado.
Quanto ao que sinto, é segredo. Quanto ao segredo, nem ao menos entendo. Não sinto, não quero. Só vivo.
Guarde para si, a tua falta de sinais, a tua falha de amar. Devolvo-te as farpas no meio do peito. No meio do caminho. As que estavam dentro de mim.
Os dentes são serrados na boca, os lábios desenham o sorriso. O desejo do homem. O pecado em ser somente si. Ela é doce, suave, encantadoramente assustadora. É metade bruxa, metade fada. Sua fala é calma, seus gestos são calmos. Sua beleza é indecifrável. Às vezes parece monstro, outras, princesa. Jamais seria indefesa.
Suas pequenas mãos feriariam até mesmo leões. Levantam qualquer um do chão. Esmagam qualquer um sem pena, sem perceber.
É paradoxo. É criança. É mulher. É cruel. Sua presença machuca, suas falas ferem. Tudo nela me incomoda. Tudo me maltrata pouco a pouco. É doença. É minha cura.
Seu corpo fantasia-se em minha cabeça. Vejo pernas, vejo barriga, vejo braços, imagino abraços.
Não sei pensar se não for ela, não sei falar sem tocar teu nome, sem senti-lo em meus lábios, sem sinta-la. Tudo arde em volta do crepúsculo que criei em mim. Nada fica envolto as palavras que joguei no vento para ir de encontro a ela. Meu sorriso se calou, meus olhos se calaram. Não tem graça se não forem vistos pela verdadeira face. Não tem graça se não forem para ela. É ridícula, grossa, insuportavelmente linda. Odiar-te é parte da dor salgada e fria. É parte do que eu sou por ti. Ódio e amor. Ao contrario de odiar ama-la, amo odiar-te. Sou o contrario do resto da humanidade que se apaixona pela figura dessa semi-qualquer-coisa-que-seja. Não sou parte de você. Não quero parte alguma de você. Quero que fique longe, ficarei longe. Longe de mim. Longe dessa bobagem. Longe de lábios falsos. De abraços fracos. De presença inventada. Tu não tens complemento. Não tens metades. Tu gostas de ser sozinha. É viúva-negra. Matou-me, sem nem ao menos ter me amado.
Quanto ao que sinto, é segredo. Quanto ao segredo, nem ao menos entendo. Não sinto, não quero. Só vivo.
Guarde para si, a tua falta de sinais, a tua falha de amar. Devolvo-te as farpas no meio do peito. No meio do caminho. As que estavam dentro de mim.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Coincidência.
Foi difícil pegar no sono esta noite. O cuspe ainda tinha gosto chocolate, ainda tinha cheiro de margaridas. O copo de leite não passou da língua, a língua não coube na boca. Sempre falei demais, demonstrei demais. Sou errada demais. Meus olhos me entregam, meus gestos denunciam. Amar pelas metades é parte do que sou. Não seria se não fossem pelas metades. Odiar por inteiro é parte do que aprendi a ser. Não seria de todo amor, se antes não lhe tivesse atirado mil pedras. Os dedos ruídos e machucados são pedaços do que sinto. Tem uma parte minha nos cortes dos dedos, no aranhão do rosto. Tem partes suas no roxo da perna, na ferida da alma. Levei surras de mangueiras para desistir, e mesmo quando sentiu sede, delas dei-lhe a água de beber. Esse sentimento era rogado e pregado por dores, ruídos, faz de conta. Sempre quis mais. Enquanto tu ficavas na fila do pão, eu esperava-te na fila do cinema, com pipocas e refrigerantes na mão. Os filmes nunca foram tão tristes.
Foi difícil sair da cama essa manhã. Os lençóis ficaram grudados no suor do corpo. O corpo ficou e o restante deu uma volta no quarto, abriu a janela olhou para o sol brilhante e escaldante, olhou para o corpo jogado na cama e voltou. Quando enfim levantei, escovei meus cabelos e vesti minha blusa, ao avesso. Peguei meu copo e joguei pia abaixo. O amor tem gosto de café. Por 15 minutos fiquei com a escova de dente dentro da boca. Por 15 minutos tive a sensação de limpa-lo de mim. A manhã nunca foi tão ridícula. Nunca fui tão ridícula. Recém curada dos vestígios dele, tomei chá de pancadas. Não, não gosto de apanhar, as surras que gostam de dar-me afagos. Gostam da forma como grito, da forma como peço: “Pára!”. Mas dessa vez as mesmas se cansaram. Deram-me tréguas, deram-me espaço. Tenho a leve impressão de te escutado: “Chegamos ao fim”. Até mesmo a surra disse adeus.
Passar os dias com feridas tão profundas tem se tornado difícil. Não sei mais manter o sorriso, nem ser simpática. Não consigo fingir felicidade nas esquinas, quanto menos dentro de casa. Há muito me sinto um par de olheiras. Há muito sei que sou pelas beiradas. Beiro estrelas, beiro castelos, beiro príncipes e princesas. Beiro becos, bêbados, bizarros, braços de ventríloquos. Há muito que paro em cima das poças de lama.
Ao me olhar no espelho, vi algo que não fazia parte do meu rosto. O cuspe ainda estava nele, impregnado. Nunca odiei tanto margaridas, nunca senti tanta ânsia de chocolates. Sou corpo sobre pele e osso. Sou pele ferida. Osso quebrado. Apenas corpo. Apenas adeus. Quanto ao cuspe, era apenas uma mancha no espelho.
Foi difícil sair da cama essa manhã. Os lençóis ficaram grudados no suor do corpo. O corpo ficou e o restante deu uma volta no quarto, abriu a janela olhou para o sol brilhante e escaldante, olhou para o corpo jogado na cama e voltou. Quando enfim levantei, escovei meus cabelos e vesti minha blusa, ao avesso. Peguei meu copo e joguei pia abaixo. O amor tem gosto de café. Por 15 minutos fiquei com a escova de dente dentro da boca. Por 15 minutos tive a sensação de limpa-lo de mim. A manhã nunca foi tão ridícula. Nunca fui tão ridícula. Recém curada dos vestígios dele, tomei chá de pancadas. Não, não gosto de apanhar, as surras que gostam de dar-me afagos. Gostam da forma como grito, da forma como peço: “Pára!”. Mas dessa vez as mesmas se cansaram. Deram-me tréguas, deram-me espaço. Tenho a leve impressão de te escutado: “Chegamos ao fim”. Até mesmo a surra disse adeus.
Passar os dias com feridas tão profundas tem se tornado difícil. Não sei mais manter o sorriso, nem ser simpática. Não consigo fingir felicidade nas esquinas, quanto menos dentro de casa. Há muito me sinto um par de olheiras. Há muito sei que sou pelas beiradas. Beiro estrelas, beiro castelos, beiro príncipes e princesas. Beiro becos, bêbados, bizarros, braços de ventríloquos. Há muito que paro em cima das poças de lama.
Ao me olhar no espelho, vi algo que não fazia parte do meu rosto. O cuspe ainda estava nele, impregnado. Nunca odiei tanto margaridas, nunca senti tanta ânsia de chocolates. Sou corpo sobre pele e osso. Sou pele ferida. Osso quebrado. Apenas corpo. Apenas adeus. Quanto ao cuspe, era apenas uma mancha no espelho.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Decifra-me.
O vento que soprou não trazia sinais de saudade, não trazia cheiro de lembrança. O vento que tocou meu rosto, não secou minhas lágrimas, não tirou o pó do meu vestido. Aqueles assobios de ventos não traziam presença, continuei sozinha.
As árvores se mexiam mais do que eu. A sacola plástica no ar, tinha mais beleza, leveza. Também se mexia mais do que eu. Fui vegetal imaginário.
O chão de terra e os resquícios de lama avermelhada fizeram-me refém da sujeira. Chutar as pedras como se elas fossem culpadas não ajudou. Derrubar a roupa do varal não adiantou. Falar mal do cachorro do vizinho e esmagar as formigas transformou-me em algo maior. Um inseto maior. Senti repulsa.
Procurei as respostas, as que sei de cor. Minhas frases feitas, mentirosas. É ridículo deduzir. É exagero pedir desculpa. É bobeira te confessar a mim.
Minhas janelas não têm vidro; quebraram-se. Minhas portas não têm chaves; perderam-se. Meus armários não têm utilidade; pouco basta. Meu sentimento brinca comigo. Esconde-Esconde. Pega-Pega. Cobra-Cega... Idiota.
Em resumo: Eu juraria eternidade. Tu me darias a noite. Entregaria-lhe a lua, as estrelas. Tu me darias uma bebida. Dar-te-ia meu coração. Tu acenderias um cigarro. Pediria um beijo, um afago. Tu me darias seu riso. Ririas de mim.
Em verdade: Decifro-te querendo acreditar em meus finais.
Em mentira: Não, não gosto de você.
Em final: Deu-me a mão, sorriu pra mim, e fomos felizes para sempre.
Se fecho meus olhos e levo a cabeça perto do chão, é porque te olhar, ainda dói.
Entre tu e a dor, prefiro xingar animais.
As árvores se mexiam mais do que eu. A sacola plástica no ar, tinha mais beleza, leveza. Também se mexia mais do que eu. Fui vegetal imaginário.
O chão de terra e os resquícios de lama avermelhada fizeram-me refém da sujeira. Chutar as pedras como se elas fossem culpadas não ajudou. Derrubar a roupa do varal não adiantou. Falar mal do cachorro do vizinho e esmagar as formigas transformou-me em algo maior. Um inseto maior. Senti repulsa.
Procurei as respostas, as que sei de cor. Minhas frases feitas, mentirosas. É ridículo deduzir. É exagero pedir desculpa. É bobeira te confessar a mim.
Minhas janelas não têm vidro; quebraram-se. Minhas portas não têm chaves; perderam-se. Meus armários não têm utilidade; pouco basta. Meu sentimento brinca comigo. Esconde-Esconde. Pega-Pega. Cobra-Cega... Idiota.
Em resumo: Eu juraria eternidade. Tu me darias a noite. Entregaria-lhe a lua, as estrelas. Tu me darias uma bebida. Dar-te-ia meu coração. Tu acenderias um cigarro. Pediria um beijo, um afago. Tu me darias seu riso. Ririas de mim.
Em verdade: Decifro-te querendo acreditar em meus finais.
Em mentira: Não, não gosto de você.
Em final: Deu-me a mão, sorriu pra mim, e fomos felizes para sempre.
Se fecho meus olhos e levo a cabeça perto do chão, é porque te olhar, ainda dói.
Entre tu e a dor, prefiro xingar animais.
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